(ANS – Roma) – Publicamos um segundo bloco da entrevista concedida a ANS por Dom Luciano Capelli, Bispo de Gizo, montanhês tenaz com talentos para futebol.
Que lhe ficou das suas origens e o que ao invés assumiu dos habitantes das Ilhas Salomão, durante estes anos de convivência?
Dom Capelli:
Das minhas montanhas da Valtellina – terra do missionário P. Carlos Braga e do teólogo Venerável P. José Quádrio –, da minha cultura de origem e da meninice no pós-guerra de ’39-‘45, conservo ainda a grande capacidade de não me render perante as crises ou os perigos de qualquer tipo. As montanhas me ensinaram que a vitória na conquista do cimo não está na meta do cume mas na luta do percurso, em pôr um pé cada vez mais alto que o precedente, sem tirar os olhos do pico. Dos habitantes das Ilhas Salomão, ao invés: a despreocupação, a alegria do viver o dia-a-dia..., a paciência e o contentar-me com pouco, com o necessário, sem ‘stress’.
Soubemos que jogou, com Dom Pânfilo, hoje Arcebispo Coadjutor de Rabaul, num time de futebol salesiano que nem a Seleção das Filipinas conseguiu derrotar. Bate ainda uma bola?
Dom Capelli:
Duas cirurgias nos ligamentos do joelho direito (em 1981 e em 1991) não me tiraram a vontade de dar, cá e acolá, algum chute... Mas foi em ’99, durante uma partida, que, depois de parar com a direita, não pude completar com a esquerda, porque me dei conta de que... a bola já não estava ali: aqueles danadinhos de rapazes ma roubavam com a maior facilidade; e isso era demais para um… ex campeão! Deste modo, aos 52 deixei de jogar sério. Mas alguns chutes na bola os dou ainda de muito prazer, escolhendo bem a... idade dos adversários! Assim aos 64 anos ainda me viro discretamente jogando com os coroinhas do primário…: e que entusiasmo em campo! Naturalmente a partida termina sempre com um sorvete, que muito me ajuda a conquistar o coração daquela gentinha.
Publicado em 07/06/2012