| Itália – 140° FMA: sonhar com fantasia e generosidade o futuro |
| RMG – Entrevista com a Madre Reungoat 1/2: Estado de saúde das Filhas de Maria Auxiliadora e perspectivas para o futuro |
(ANS – Roma) – Na segunda parte da entrevista concedida a ANS, a Madre Yvonne Reungoat, partindo da própria experiência, fala dos jovens, da contribuição que as FMA podem dar e da própria história vocacional.
Quais as expectativas e os desafios para os jovens de hoje? Pode-se traçar ainda uma geografia do mundo juvenil ou a globalização unificou tudo?
Há certamente desafios específicos para os jovens, segundo os contextos sócio-culturais. Naqueles de maior pobreza econômica ou empobrecidos, os jovens estão mais motivados por empenhar-se em alevantar o seu estado social; sabem aproveitar das oportunidades que se lhes oferecem. Os dos Países definidos ricos, entretanto, são menos motivados e têm um tempo mais longo de amadurecimento humano. Mas estas são apenas generalizações.
A globalização unificou um tanto as necessidades, mas acrescentou outras, de modo que são muito mais os aspectos que igualam os jovens de hoje em nível mundial, relativamente àqueles que os diferenciam. Globalizaram-se as linguagens, o consumo, as expectativas de realização, os ‘news media’, as novas tecnologias.
Não me refiro aos desafios da globalização somente na dimensão negativa – secularização, relativismo, consumismo – mas também na positiva. Se foi globalizada, p. ex., a solidariedade, o voluntariado cresceu: há uma nova sensibilidade relativamente aos direitos humanos e à dignidade de cada Pessoa. As necessidades profundas dos jovens são as de sempre: amar e ser amados, buscar o sentido da vida e a felicidade, empenhar-se pelo bem comum, tornar o mundo uma casa habitável para todos.
Hoje os jovens querem ‘existir’: não só fazendo sentir a sua voz como indignados, mas pondo à disposição os seus recursos como jovens empenhados. Creio que nos estamos preparando para viver uma nova estação, contanto que os saibamos ouvir e acompanhar em seu crescimento humano e cristão.Não há somente uma linguagem juvenil críptica, ou cifrada, mas também uma, feita de simplicidade, de concreteza, de gratuidade, de doação. Existe um pedido com frequência implícito de sentido e que exige se traga à luz; e há um pedido latente nos jovens de serem acompanhados por adultos significativos, neste mundo que se tornou mais e mais multiétnico, multicultural, multi-religioso, sem pontos de referência. Para nós o desafio é acompanhá-los a abrir-se aos outros e ao outro: até ao anúncio explícito de Jesus Cristo.
O termo “crise” caracteriza diversos âmbitos, desde o econômico até o social, desde os valores até à realidade juvenil. Que esperanças oferecem as FMA?
As esperanças que podemos oferecer dependem daquelas mesmas que animam a nossa vida. O primeiro sinal de esperança para os jovens é achar adultos capazes de esperar. A crise, presente sobretudo no ocidente, é crise econômico-social, de valores, cultural, educativa. A emergência educativa pode ser interpretada como emergência de pais e mães, de casa e de família; e de formação.
Educar numa sociedades que faz com frequência do relativismo o próprio credo, que enche as novas gerações de gratificações emotivas e exalta a cultura do efêmero, pode tornar mais difícil a nossa tarefa e frear os nossos arrebatamentos. Estou convencida, todavia, de que poderemos oferecer esperança aos jovens, somente se superarmos a crise de crédito em que muitos adultos precipitaram abdicando com freqüência das suas próprias responsabilidades.
Se, como FMAs, testemunharmos a beleza e a alegria da nossa vocação, será mais fácil constituir uma grande rede de comunhão e de diálogo, com todos aqueles a que está a peito a educação dos jovens. E com os mesmos jovens!
Em nome de todas as FMA, exprimo o desejo de que muitas jovens mulheres possam descobrir o chamado para seguir Jesus Cristo em nosso Instituto. O campo das necessidades educativas é imenso. Da crise, que é também vocacional, se sai se formos capazes de entregar às jovens gerações o carisma salesiano para que o desenvolvam e o enriqueçam.
A 140 anos do seu início, depara-se-me um horizonte grande e aberto no qual a nossa Família religiosa pode continuar a escrever páginas de fidelidade jubilosa, também com a contribuição de jovens mulheres que não têm medo de empenhar-se por seguir a Jesus Cristo.
Poderia contar-nos brevemente a história da sua vocação?
Tinha na família um tio salesiano missionário no Canadá e recebíamos regularmente o Boletim Salesiano. Foi assim que os meus pais descobriram a existência de uma Escola das FMA na cidade de Dinan, na Bretanha (França), onde pude fazer meus estudos. Fiquei impressionada pelo clima de família que reinava nessa comunidade. Um dia a diretora me perguntou: “V. nunca pensou na vida religiosa?”. Essa pergunta direta acordou em mim o desejo de ser religiosa que cultivava em meu coração já antes de conhecer as irmãs e que havia deixado cair pensando na impossibilidade de uma resposta. Devo reconhecer que a diretora de Dinan foi uma verdadeira acompanhante e que o clima educativo da comunidade sustentou a minha caminhada. As FMA tinham a arte de fazer-nos protagonistas: confiavam-nos pequenas responsabilidades adequadas às nossas possibilidade, a fim de educar-nos ao serviço dos outros. O acompanhamento me ajudou a maturar a resposta vocacional. Senti-me, pois, aferrada por Deus! Mas, sem aquela pergunta, talvez hoje não fosse Filha de Maria Auxiliadora.
Ter sido missionária na África enriqueceu minha vocação, que evoluiu depois em modos de total surpresa minha: com a eleição a Conselheira Visitadora, a Vigária Geral e, enfim, a Superiora Geral. Desde o início achei que esta missão me superava totalmente e que teria podido cumpri-la somente podendo contar com o auxílio de Deus e de Nossa Sra. Auxiliadora.
Ser a IX Sucessora de Madre Mazzarello é uma tarefa que só pode ser levada a termo com a graça de Deus, com a entrega a Maria Auxiliadora, Que tudo fez – também em minha vida. Estou certa de que Deus só nos pede licença de Ele poder agir em nós com liberdade e fazer-nos instrumentos do seu amor preveniente.
Publicado em 03/08/2012