República Democrática do Congo – O P. Owoudou aborda a situação nas regiões orientais do país: “Por mais longa que seja a noite, o dia amanhecerá"

25 março 2024

(ANS – Goma) – Durante a nova etapa da Visita Extraordinária à Inspetoria Maria SS. Assunta, da África Central (AFC), o P. Alphonse Owoudou, Conselheiro para a Região África-Madagascar, concedeu uma entrevista à revista JAMBO VIJANA, dos Jovens que frequentam as Obras salesianas da Delegação EST Inspetoria. Ao se referir à violência e aos confrontos que marcam aquelas terras há meses, o P. Owoudou afirmou com esperança: “Por mais longa que seja a noite, o dia há de amanhecer".

P. Alphonse, o que é uma Visita Extraordinária?

Estou aqui no âmbito de uma ‘Visita Extraordinária’ iniciada no dia 1º de outubro de 2023 à Inspetoria Salesiana AFC. O Reitor-Mor me delegou como Visitador em seu nome, portanto tenho o dever de ouvir todos os irmãos e de visitar todas as Casas da Inspetoria para conhecer também os colaboradores e seus destinatários. Dada a imensa dimensão da AFC, iniciei esta visita pelas obras do Sul, em outubro e novembro de 2023. Neste mês de março, continuo o meu caminho pela parte oriental da Inspetoria. No final, reportarei tudo ao Reitor-Mor, para que defina as orientações para os próximos seis anos.

Qual a sua avaliação sobre a Delegação Salesiana São José, da AFC-EST, desde o seu nascimento em 2021 até hoje?

A minha opinião é satisfatória; foram dados muitos passos, embora ainda haja muito a ser feito. Um dos frutos da maturidade é que as Casas existentes sejam erigidas canonicamente, independentes, e que cada Casa tenha uma Comunidade Educativo-Pastoral. No início, Boscolac não era instituída canonicamente; hoje, a nosso pedido, todas as condições foram satisfeitas e já é canônica. Há entretanto mais duas Casas, incluindo Shasha, nas quais a situação atual (guerras, deslocamentos de povo, insegurança) poderá atrasar a constituição canônica.

Além disso, vejo que as Obras estão tentando se definir perante o novo setor imposto pela recepção de deslocados de guerra.

Quais os resultados da visita de Conjunto a Kigali?

Antes do final do seu mandato, o Reitor-Mor visitou as sete Regiões salesianas do mundo para avaliar o andamento do sexênio. Assim, estivemos em Kigali-Ruanda, em fevereiro, logo depois da última visita a Nairóbi, no Quênia, em 2018. Juntos, partilhamos e refletimos sobre a Região, a missão e a experiência de vida comunitária. Neste ponto, os testemunhos são positivos. Em termos de condução/liderança, a questão chave tem sido se os Inspetores e os seus Conselhos estão conseguindo governar e liderar adequadamente as suas comunidades. Foi também uma oportunidade para pedir ao Reitor-Mor que dividisse a nossa região (atualmente composta por 41 nações) em duas ou três Regiões, dada a sua vastidão. Discutimos também outros pontos (quais a fidelidade, a escuta dos novos sinais dos tempos, especialmente para a África em guerra e de golpes de Estado, além de como definir o modo de ser salesiano na África).

Que tarefas o aguardam como Regulador do próximo Capítulo Geral 29 (CG29)?

Quando ouvi a notícia, fiquei surpreso, mas também agradeci a Deus por este sinal de confiança. Foi um choque. Impensável. Inimaginável. Foi destacado que será a primeira vez que um africano é nomeado Regulador do CG. Mas não sou salesiano porque sou africano, sou salesiano porque sou filho de Dom Bosco, filho da Igreja. Confio no sucesso do CG29, na ajuda de Deus e da equipe destinada a facilitá-lo, com 240 Capitulares e o Espírito Santo que estará entre Nós. Haveria motivos para tremer diante de missão tão delicada... O CG  deve refletir sobre o tema da «paixão por Cristo e da paixão pelos jovens», mas também sobre a grande responsabilidade de eleger um novo Reitor-Mor e um novo Conselho Geral.

Quais são as suas impressões acerca da realização da missão salesiana na penúltima obra que visitou - o Centro Dom Bosco, de Goma-Ngangi?

Carrego em mim um duplo sentimento. Em primeiro lugar, a gratidão pelo que os irmãos, as religiosas, os colaboradores, a FS, os pais e os jovens estão realizando por meio deste trabalho. Em segundo lugar, porém, a Obra salesiana de «Don Bosco Ngangi» é uma máquina grande, pesada e complexa. Senti que precisava ser melhor organizado e que a sua visão precisava ser redefinida. Para ter mais sucesso, o salesiano deverá escutar constantemente a Deus, aos sinais dos tempos e das pessoas; e a melhor identificar os problemas. Por exemplo, quando as pessoas precisam de educação, é necessário construir escolas. Quando tiverem fome, devemos combater a pobreza e a falta de trabalho, promovendo a alfabetização e a formação profissional. Pedimos continuamente a Deus para fazer o que Ele quer. Que ele nos dê os meios e os bons... samaritanos: as pessoas generosas. Que continue nos enviando novas ligações. Que possamos usar as redes sociais para falar de paz e bom governo. Deixemos que os Salesianos de Ngangi e os seus Colaboradores falem de um novo Congo, de uma melhor vizinhança com os países vizinhos. Sem fazer política, mas com uma nova forma de formar bons cristãos e cidadãos honestos, uma forma de preparar espiritual e culturalmente os futuros cidadãos.

O senhor tem uma mensagem final para seus Coirmãos, Jovens, Colaboradores e Família Salesiana da Delegação São José?

Minha mensagem também é dupla: - em nível carismático, a Congregação confia em nós. Confia na mais antiga Inspetoria da África Negra, criada em 1959. Isto significa que cada um deve questionar-se no seu próprio setor (paróquia, escola, campo, etc.) para ver o que está fazendo para merecer a confiança da Igreja e da Congregação, para que amanhã possamos ser mais, fazer mais, pelo bem dos jovens;

- em nível histórico, todos - adultos e crianças - devem se lembrar de que não importa quão longa seja a noite: no final, o dia amanhecerá. Num túnel escuro, continuamos a caminhar juntos, a avançar juntos... Porque - se pararmos ou retrocedermos - nunca chegaremos ao fim. O mais terrível inferno – a noite – nunca durará para sempre; o céu, ao invés – o dia – , este voltará para sempre.

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