Vaticano – Não só seguidores. O Jubileu que reconhece a missão on-line

30 julho 2025
Foto ©: Vatican Media

(ANS – Cidade do Vaticano) – Pela primeira vez, a Igreja celebrou um Jubileu em homenagem aos que evangelizam por meio das redes sociais e da internet. Dois dias intensos em Roma para refletir sobre as linguagens, as oportunidades e os desafios da proclamação cristã pelo digital. Na abertura do evento, o Papa Leão XIV convidou os presentes a "consertar as redes" e a se tornarem "agentes de comunhão". Aqui vão algumas vozes de pessoas que vivem essa missão, tanto nas redes sociais quanto nas relações autênticas; também no contexto salesiano.

A exortação do Papa Leão XIV

“Sejam agentes capazes de quebrar a lógica da divisão e da polarização, e do individualismo. É preciso colocar Cristo no centro para vencer a lógica do mundo”. Com tais palavras, Leão saudou os participantes do I Jubileu dos Missionários Digitais e Influenciadores Católicos, na Basílica de São Pedro em 29 de julho de 2025, incentivando-os a continuar sua missão no coração do mundo digital.

Uma exortação baseada no Evangelho e na consciência de que hoje "a cultura digital está presente em quase tudo" e deve ser habitada pelo espírito evangélico. O Papa indicou três desafios fundamentais: cultivar o humanismo cristão; buscar "a carne sofredora de Cristo" mesmo nas faces ocultas da web; e consertar não só as redes digitais mas especialmente as relacionais e comunitárias. "Construir redes de amor e de partilha, redes que salvam, redes que nos fazem redescobrir a beleza de olhar nos olhos uns dos outros" - disse o Pontífice, convidando os missionários digitais a um testemunho concreto e humilde, que parta deles mesmos e de sua própria necessidade do Evangelho.

O convite do Conselheiro Geral de Comunicação Social: "Jovens, estejam abertos!"

O encontro do primeiro Jubileu de Influenciadores e Missionários Digitais também contou com a presença do Conselheiro Geral para Comunicação Social, que, por sua vez, compartilhou uma mensagem de incentivo a todos os evangelizadores on-line e aos jovens.

"Minha mensagem é muito simples", declarou.  "Jovens, estejam abertos! Vocês não são apenas destinatários do Evangelho, mas, acima de tudo,  são manddos, são missionários no mundo: a começar por seus colegas, suas famílias; e, continuando além, não apenas nas realidades em que se encontram, mas também no mundo digital. Sejam criativos e usem suas energias juvenis para servir a Jesus! Deus os abençoe!".

Reconhecimento eclesial de uma missão já existente

Para muitos dos participantes, acadêmicos, observadores do mundo social, a experiência vivida em Roma, mesmo que por apenas 48 horas, constituiu um marco histórico. A Igreja, de fato, reconheceu a evangelização digital como uma verdadeira missão no âmbito do Jubileu.

Rafael Busemi, Docente de Comunicação na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, destaca que foi “um gesto de confiança, de escuta", mas também um apelo à responsabilidade. “As pessoas também expressam sua Fé por meio de telas, feeds, conteúdo compartilhado. Não basta mais afirmar que as redes sociais são uma ferramenta: elas se transformaram em ambiente, e o Evangelho precisa ser levado até ali”, diz.

Guido Mocellin, jornalista do cotidiano Avvenire  e editor das colunas WikiChiesa e Missionari digitali, descreveu esse Jubileu temático como "a resposta da Igreja a um sinal dos tempos". Após a pandemia e as reflexões do Sínodo, era  inevitável que as figuras dos missionários digitais encontrassem reconhecimento explícito mesmo dentro do Ano Santo.

Uma realidade jovem, diversificada e crescente

Este Jubileu, que deu início ao dedicado aos jovens, ressaltou a vasta diversidade de linguagens e carismas existentes no mundo católico digital. Um aspecto comum entre todos é a compreensão de que não basta "fazer números" ou criar conteúdo viral. Não se deve reduzir a evangelização digital a uma técnica de marketing espiritual. Busemi adverte: "O risco é transformar a Fé num produto de comércio".

O centro deve ser sempre Cristo, não a individualidade, como recordou o Papa Leão aos participantes. E os seguidores devem se transformar em irmãos e irmãs, conectados por vínculos autênticos. Mocellin também alerta para uma perspectiva exclusivamente quantitativa do fenômeno: "Em certos campos linguísticos, os missionários digitais têm tantos seguidores quanto as estrelas do rock. Entretanto, o que veramente importa é gerar comunidades reais, em torno de um estilo e proposta cristãos": uma mudança da rede "como meio" para a rede "como lugar de comunhão".

Desafios: discernimento, formação, identidade

Afirmar com convicção que a Fé é vida e aceitação, acrescenta Eleonora Commentucci, representa um desafio significativo nos dias de hoje, sobretudo para aqueles que se dirigem àqueles jovens que estão mais distantes da Igreja. "Muitos deles acreditam que o Cristianismo é crítico e restrito. Porém, se conseguirmos mostrar que a Fé é alegria, liberdade, amor, poderemos realmente reduzir essa distância". Mas isso exige formação, discernimento, responsabilidade.

Há uma demanda imediata por investimento em recursos apropriados, em profissionais de apoio, em maior conscientização eclesial. “Por exemplo”, prossegue Mocellin, “no Sínodo houve muitos debates sobre a missão digital. Mas poucos missionários digitais compartilharam acerca do evento em suas redes sociais”.

Os missionários digitais são um recurso eclesial precioso para reavivar a Esperança do Jubileu, a qual se baseia na Fé. Cabe à Igreja aprimorar tal recurso, e orientá-lo, deixando-o livre para expressar sua criatividade com as novas formas e linguagens que os tempos exigem e que o EspíritoQue sopra em toda parte – pode produzir.

InfoANS

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