Brasil – “Casa Real”: um projeto que une a formação profissional à ação social
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10 março 2026

(ANS – Lorena) – Há 15 anos, o Projeto ‘Casa Real’ leva alunos de Arquitetura e Urbanismo a desenvolver suas habilidades profissionais numa ação social voltada a oferecer moradia digna a quem precisa.

Como oferecer ao estudante universitário uma educação integral, capaz de prepará-lo para os desafios reais da carreira profissional e da vida? Há 15 anos, o curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Teresa D’Ávila (UNIFATEA), em Lorena, SP, responde a este desafio com o Projeto ‘Casa Real’, que une excelência na formação profissional dos alunos ao incentivo para a ação social transformadora.

Uma história de sucesso

O projeto nasceu praticamente junto com o curso de Arquitetura e Urbanismo, iniciado em 2010, como relembra o Coordenador do curso, Professor José Ricardo Flores Faria: “Em 2011 fizemos a primeira edição, ainda como uma mostra de arquitetura e urbanismo, que foi montada e depois desmontada. Já em 2013, ele passou a ser realizado como um projeto realmente... real, e com um aspecto social, de ação social salesiana. Buscamos uma instituição que necessitasse de reformas, e a primeira foi o ‘Abrigo de Idosos Maria de Nazareth’. Fizemos a reforma de todas as áreas do abrigo, exceto dos quartos dos idosos”.

O sucesso foi grande, e, impulsionado pelas Irmãs Filhas de Maria Auxiliadora, mantenedoras do UNIFATEA, o Projeto Casa Real continuou sendo realizado a cada dois anos, com as reformas, em 2015, dos espaços do Centro de Atendimento ao Deficiente Visual de Lorena e, em 2017, do Lar de Longa Permanência Vila Vicentina da Sagrada Família.

A partir de 2019, foi feita uma reformulação na proposta inicial. Além de se tornar anual, o Casa Real passou a atender famílias carentes em bairros periféricos de Lorena. “A partir de 2019, pois, adotamos a temática da moradia digna, e iniciamos as reformas de residências de pessoas em situação de vulnerabilidade social”, conta ainda José Ricardo. Atualmente, essas famílias são indicadas pela Cáritas Diocesana de Lorena, hoje parceira no projeto. “As famílias precisam ter um perfil muito específico, de ao mesmo tempo ser proprietária do imóvel e ter uma vulnerabilidade relativa à moradia”.

“Quando a formação profissional encontra a solidariedade, o conhecimento deixa a sala de aula e transforma vidas”

Como funciona o Projeto Casa Real?

Anualmente, os Alunos do quarto ano do Curso de Arquitetura e Urbanismo ficam responsáveis pelo Projeto ‘Casa Real’. Eles escolhem, entre as indicadas pela Cáritas, a família que será beneficiada; fazem as entrevistas para determinar as necessidades da moradia; fotografam e medem a casa; fazem o levantamento de custos e do material necessário; elaboram todo o projeto da reforma, que é rediscutido e adequado com a família; iniciam a campanha para angariar recursos – tanto financeiros quanto de materiais; e, por fim, acompanham a execução da obra, solucionando os problemas e imprevistos que por acaso aparecem.

“O bacana é que quando a gente reencontra os já Egressos do Curso de Arquitetura e Urbanismo, a sua memória afetiva acaba nesse projeto. Porque é algo que toca, por fazer muito bem ao outro, e, também, por ser algo realmente prático, uma obra real em que eles são os verdadeiros responsáveis por trabalhar em equipe, superar as dificuldades e imprevistos: e atender o cliente dentro do prazo” – afirma o Coordenador, ressaltando que esses estudantes, depois – quando passam para o quinto e último ano do curso – conseguem adaptar-se com muito mais facilidade aos estágios em Empresas de Arq./Eng.ria, porque já possuem uma experiência concreta de trabalho na área.

Impacto social

José Ricardo considera que o grande impacto social do projeto é outro diferencial na formação dos estudantes, que percebem claramente como podem transformar a vida de outras pessoas por meio de sua qualificação profissional: “O que temos visto ao longo dos anos é que a intervenção do Casa Real vai muito além da estética e da melhoria do espaço físico. Ela envolve sistema de drenagem e de esgoto, reformas para evitar infiltração e mofo, questões de saneamento”.

Ele relembra o caso de uma ‘casa’ que tinha um vaso sanitário mas não um banheiro completo; a única torneira ficava do lado de fora que a família usava para tudo: pegar água, tomar banho, lavar louça e também roupa... “E então, ali, uma vez feita a reforma, fica muito perceptível o impacto na qualidade de vida dessas pessoas, e na abertura de novos horizontes para tais famílias... E, tudo isso, claro - completa - é muito gratificante! ”.

Solidariedade e união

Merece destaque ainda a mobilização da comunidade educativa, com os estudantes realizando campanhas de arrecadação nos eventos escolares e educadores contribuindo com o trabalho voluntário para o projeto; além da forte contribuição da sociedade, com empresas parceiras que doam material de construção, equipamentos, móveis... Na última edição do projeto, em 2025, houve até uma padaria que entrou como parceira, oferecendo café e salgados para os que trabalhavam na obra!

“Vejo que a essência desse projeto é a de unir o aspecto prático, da ‘mão na massa’, a esse olhar para o outro: essa escuta atenta, com a proposta de levar para a família que está sendo atendida, não um luxo, mas uma moradia digna: uma casa adequada, igual à que as pessoas querem, precisam e que mereceriam! ” - finaliza o Prof. José Ricardo.

Ana Cosenza,
com informações de André Brazil – Comunicação UNIFATEA

Fonte: Boletim Salesiano do Brasil

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