A ‘Positio super virtutibus’, entregue em 31 de maio de 2024, teve como relator o P. Szczepan Tadeusz Praśkiewicz OCD; como postulador, o P. Pierluigi Cameroni SDB e, como redator, Matteo Penati, colaborador da Postulação Geral. Os nove consultores foram chamados a se pronunciar sobre o exercício heroico das virtudes cristãs praticadas pelo Servo de Deus, bem como sobre sua fama de santidade e de sinais. Com base nesse parecer, os Cardeais e Bispos membros do Dicastério poderão, em seguida, emitir seu julgamento.
A notícia foi recebida com grande alegria tanto em Diano d’Alba (Cúneo) - terra natal do Servo de Deus - como na Diocese de Alba, onde, há anos, um grupo se dedica à promoção da Causa, quanto no Nordeste da Índia, especialmente na Diocese de Tura e na Inspetoria Salesiana Índia-Guwahati (ING).
“Neste Ano Santo dedicado à Esperança cristã e no 150º aniversário da Primeira Expedição Missionária promovida por Dom Bosco, o testemunho de Dom Orestes Marengo é o de um verdadeiro Peregrino da Esperança. Animado pelo zelo apostólico dos missionários do Evangelho, ele anunciou a Palavra da Salvação: foi um Bispo portador de Esperança, que ensinava a confiar em Deus, convicto de que «tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus»”, comentou o P. Cameroni.
Emilio (Emílio) Orestes Marengo nasceu no dia 29 de agosto de 1906, na cidade de Diano d’Alba, em Cúneo. Morou na região de Le Cecche com seus pais, Lorenzo e Agostina, e seus três irmãos — incluindo Giuseppe, que se tornou sacerdote diocesano, e Agnese, que se fez religiosa. Tratava-se de uma família de camponeses, de Fé profunda e empenho pelo trabalho. Em Diano d’Alba, teve Orestes a oportunidade de conhecer importantes personalidades do mundo salesiano, o que o motivou a se mudar para Turim aos 13 anos para dar início à sua formação e conhecer os salesianos da primeira geração.
Em 1923, deixou a Itália pelo rumo da Índia, mais precisamente para o Nordeste, onde viveria toda a sua vida missionária. Fez parte do primeiro grupo de noviços — oito jovens de toda a Europa — formados localmente pelos salesianos. Seu mestre foi o agora ‘Venerável’ P. Stefano Ferrando. Já durante o noviciado, e depois nos estudos de filosofia, os jovens missionários visitavam vilarejos para ajudar na celebração da Eucaristia e instruir catecúmenos e novas comunidades católicas. Seguiram-se três anos de teologia, período em que Marengo conheceu o Servo de Deus P. Constantino Vendrame, salesiano e grande mestre de vida apostólica.
No dia 2 de abril de 1932, Orestes Marengo foi ordenado sacerdote e designado para uma primeira missão. Sua dedicação incansável lhe afetou a saúde; por isso, em 1936, apenas quatro anos após a ordenação, seus superiores decidiram protegê-lo nomeando-o Mestre dos Noviços — em Woodcot e Bandel — e, depois, diretor do Estudantado Filosófico em Sonada. Ao fim da Segunda Guerra Mundial — período em que foi um dos poucos italianos a não ser ‘internado’ pelos Aliados —, retornou à atividade missionária.
Em 1951, a Santa Sé decidiu dividir a Diocese de Shillong e criar a sede episcopal de Dibrugarh. Como primeiro Bispo, foi escolhido justamente o P. Orestes Marengo, recebendo a Ordenação Episcopal na Basílica de Maria Auxiliadora, em Turim, em 27 de dezembro de 1951. Permaneceu como Bispo de Dibrugarh até 1964, quando foi encarregado de fundar a nova Diocese de Tezpur, que governou de 1964 a 1969.
Os anos de Dibrugarh e Tezpur, apesar das dificuldades, foram marcados pelo florescimento de novas comunidades católicas e pela conversão de muitos não cristãos. Posteriormente, o P. Marengo foi enviado a Tura, primeiro como Vigário Episcopal do Bispo de Shillong e depois como Administrador Apostólico, para dar início a mais uma Diocese: em poucos anos, os centros missionários passaram de sete a treze. Em 1978, renunciou ao encargo de Administrador Apostólico e a Diocese teve o seu primeiro Bispo – um indiano.
Dom Marengo pôs-se, então, à disposição dos sacerdotes locais, ajudando nas missões como Vigário Paroquial. Após completar 70 anos, volta a ser um simples missionário, até que as forças lhe faltem quase totalmente. Retira-se então para ‘Bosco Mount’ - sede do Pré-Noviciado salesiano em Tura, onde se torna exemplo e referência para as novas gerações de salesianos. Faleceu em Tura, em 30 de julho de 1998.
O único desejo de seu coração paterno era estar com as pessoas e aproximá-las de Deus. Foi um verdadeiro “garimpeiro d’almas”; e irmão universal, especialmente dos mais pobres e pequenos. Seguindo Jesus e Dom Bosco, Dom Marengo soube amar o próximo e fazê-lo sentir-se amado de modo singular. E, porque desejava ser irmão de todos, aprendeu numerosas línguas ao longo da vida, para que cada pessoa pudesse compreender plenamente a Boa Nova. Para ele, o anúncio do Evangelho devia ser universal — sem barreiras linguísticas ou culturais.
