Em conversa com ‘Salesianos pelo Social’, emerge o reconhecimento da Rede italiana como uma boa prática participativa e como um horizonte possível para uma visão europeia e global, em sintonia com o percurso ‘Organizar a Esperança’.
Salesianos pelo Social é a rede associativa que, na Itália, coordena, anima e representa as obras e os serviços voltados aos jovens em situação de vulnerabilidade, promovendo a corresponsabilidade entre religiosos e leigos, profissionais e educadores, os territórios locais e nacionais.
O Documento Programático “Organizar a Esperança” expressa com clareza essa visão: “não respostas pontuais, mas uma estratégia compartilhada; não fragmentação, mas sistema; não assistencialismo, mas promoção de direitos, justiça social, cidadania ativa”.
Na Europa marcada por novas formas de pobreza, fragilidades educativas, sofrimentos muitas vezes invisíveis, o carisma de Dom Bosco continua a interpelar a missão salesiana. O encontro com o P. Rinderer insere-se no caminho de reflexão e construção compartilhada promovido por «Salesianos pelo Social», que, por meio do percurso participativo «Organizar a Esperança», vem fortalecendo uma visão sistêmica, corresponsável e orientada aos direitos dos jovens mais vulneráveis.
Conversamos diretamente com o P. Peter Rinderer, num diálogo que abre perspectivas significativas também em nível europeu.
- Quais são hoje os desafios mais urgentes para os Salesianos no acompanhamento dos jovens vulneráveis na Itália, na Europa, no Mundo?
- Na Europa, os desafios são muitos. Atualmente, um dos mais urgentes diz respeito à saúde mental dos jovens, que se manifesta com força em diversos contextos. Há, além disso, diferentes formas de pobreza, muitas vezes interligadas entre si mas nem sempre imediatamente visíveis.
Para nós, Salesianos, a dignidade de cada Pessoa está no centro. É a partir desse princípio que nasce o nosso empenho: responderemos da melhor maneira possível às necessidades dos jovens, especialmente daqueles que vivem situações de maior fragilidade. A dignidade não é um conceito abstrato, mas uma responsabilidade concreta que interpela nossas obras e comunidades educativas.
- Após o reconhecimento oficial das obras e dos serviços sociais como parte integrante da missão salesiana, no Capítulo Geral 29, como está mudando a abordagem dos Salesianos junto aos jovens mais vulneráveis?
- Foi muito importante que o último Capítulo Geral tenha reconhecido o trabalho pelos mais vulneráveis como algo central para nós, Salesianos. Esse reconhecimento marcou uma passagem significativa, ao tornar explícito que o engajamento social não é algo marginal, mas parte integrante da nossa missão.
Agora estamos dando um passo a mais: o da criação de redes. Na África, por exemplo, está em processo a constituição do ‘Don Bosco Social Services Africa’, e, ao mesmo tempo, queremos construir uma rede europeia. Isso significa passar de experiências isoladas para um trabalho mais estruturado, compartilhado, coordenado.
- Que oportunidades e que ameaças marcam hoje a Europa na promoção e defesa dos direitos das crianças, adolescentes e jovens?
- Quando se trabalha com os mais vulneráveis, a questão do financiamento é sempre crucial. Em alguns momentos, os recursos públicos diminuem, o que dificulta dar continuidade a um trabalho essencial para a proteção dos direitos de crianças e jovens.
Essa é uma das principais fragilidades, mas, ao mesmo tempo, nos chama a buscar todas as possibilidades para continuar ajudando, de fato, os últimos e os mais vulneráveis. É um desafio que exige criatividade, colaboração e maior capacidade de diálogo com as Instituições e com a Sociedade Civil.
- Como o senhor avalia o papel de ‘Salesianos pelo Social’ com os jovens vulneráveis na Itália, no contexto europeu?
- Tive a oportunidade de conhecer mais de perto a rede de «Salesiani per il Sociale» e fiquei impressionado pela forma como ela foi construída: de maneira amplamente participativa. Esse é um elemento extremamente importante, não apenas em nível nacional mas também em outros contextos e realidades.
Se hoje temos a visão de uma rede europeia, é claro que a participação de todos e a colaboração serão decisivas também nesse nível. A experiência italiana pode representar uma boa prática, um referencial concreto do qual aprender. Espero sinceramente que possamos dar juntos os próximos passos nessa direção.
O diálogo com o P. Peter Rinderer confirma que o percurso “Organizar a Esperança” não é apenas um documento programático, mas um verdadeiro horizonte cultural e pastoral, capaz de dialogar não só dentro das fronteiras nacionais: também fora.
A rede de «Salesianos pelo Social», com sua abordagem sistêmica, participativa e orientada aos direitos, apresenta-se hoje num como laboratório vivo para a Europa salesiana: um espaço em que o Carisma de Dom Bosco se traduz em escolhas concretas de justiça social, acompanhamento educativo, empenho sociopolítico.
Marcam o nosso tempo fragilidades difusas: construir redes significa cultivar a esperança e transformá-la em ação, em rede: não como resposta emergencial, mas como visão compartilhada e responsabilidade coletiva, em favor dos jovens mais vulneráveis, na Itália e na Europa.
