O salesiano e missionário, natural da Inspetoria de Manaus, Brasil, destaca a alegria do povo, a força do carisma de Dom Bosco na Amazônia e os desafios que a Congregação enfrenta num mundo globalizado e secularizado. Atualmente, os Salesianos de Dom Bosco estão presentes em 138 países e continuam abrindo novas presenças em diferentes continentes. A principal questão, no entanto, já não é apenas geográfica.
“Hoje não basta chegar fisicamente a um território; há que saber como anunciar o Evangelho”, explica.
Ele participou da Assembleia Missionária e partilhou reflexões sobre a interculturalidade, os desafios contemporâneos da evangelização e o papel dos leigos na missão salesiana.
“O mundo mudou profundamente”, observa. “A globalização, a secularização e a cultura digital transformaram os contextos da missão. É preciso saber anunciar o Evangelho em sociedades nas quais a Fé já não ocupa um lugar central, onde predomina o relativismo e onde os jovens vivem hiperconectados, mas muitas vezes interiormente fragmentados”.
Interculturalidade: um encontro que gera algo novo
No decorrer da Assembleia Missionária, o P. Cordeiro levou a pensar sobre a interculturalidade como uma autêntica interação de culturas. “Não se trata simplesmente de conviver sob o mesmo teto, mas de integrar os valores da cultura local, as contribuições dos missionários e o carisma salesiano, dando origem a uma experiência nova”, afirmou.
Num mundo globalizado e digitalmente conectado, o desafio consiste em evangelizar respeitando as identidades culturais e construindo pontes entre os povos.
A missão hoje
O principal desafio é pois responder às rápidas transformações de um mundo secularizado e pós-moderno.
“Como evangelizar hoje, seja na selva, no contexto urbano ou nas periferias?”, questiona. A resposta passa por manter vivo o espírito missionário, entendido como disponibilidade para servir e para ir aonde a Igreja mais necessita.
Os leigos na missão de acompanhamento
O papel dos leigos adquire importância cada vez maior. A missão já não é tarefa exclusiva dos religiosos. A complementaridade entre consagrados e leigos enriquece a ação pastoral e amplia a capacidade de resposta evangelizadora. Trata-se de uma corresponsabilidade real, e não meramente funcional.
A prioridade: formar missionários
Um dos grandes desafios é a formação missionária permanente. Não basta enviar missionários; é necessário acompanhá-los - antes, durante, depois - do envio. Muitos passam anos em contextos exigentes, nos quais o desgaste humano e espiritual é concreto. Por isso, o Setor para as Missões estabeleceu como prioridade as Pessoas: formar, sustentar e fortalecer uma autêntica mentalidade missionária em toda a Congregação.
Um projeto missionário em cada Inspetoria
O P. Cordeiro destacou ainda a necessidade de que cada Inspetoria disponha de um projeto missionário claro e operativo. Não se trata de um documento formal ou meramente administrativo, mas de uma verdadeira rota pastoral, capaz de orientar decisões, processos e prioridades.
O desafio é passar de um discurso missionário genérico para um planejamento concreto e avaliável, que inclua:
– objetivos claros e realistas, adequados ao contexto;
– processos formativos específicos para animar a mentalidade missionária;
– experiências missionárias estruturadas, envolvendo jovens, consagrados e leigos;
– acompanhamento e avaliação permanentes, garantindo coerência e crescimento.
“O espírito missionário resume-se numa palavra: disponibilidade. Disponibilidade para servir, para ir e responder às necessidades de cada contexto”, concluiu o salesiano da Equipe do Setor para as Missões.
Fonte: Boletim Salesiano do Peru
