Itália – Projeto Renner e Salesianos: moradia e trabalho para jovens migrantes

24 abril 2025
Foto ©: Il Sole 24 Ore

(ANS - Bolonha) - Atrair profissionais estrangeiros na empresa, proporcionando-lhes um emprego estável e moradia com aluguel subsidiado: essa é a estratégia adotada pela empresa italiana Renner, de Bolonha, em parceria com o Centro Nacional de Obras Salesianas - Formação e Atualização Profissional (CNOS-FAP).

A maioria das revoluções começam de baixo para cima, e uma, em particular, merece apontada: a que foi impulsionada por Lindo Aldrovandi, fundador e diretor administrativo da Renner, devido à falta estrutural de trabalhadores qualificados. A empresa, que fabrica revestimentos de madeira, metal e plástico, emprega 400 colaboradores (160 nos setores de produção), e registrou um faturamento de 183 milhões de euros em 2024.

"Até o presidente da Confindustria, Emanuele Orsini, nos escreveu, apontando-nos como referência. "Não temos intenção de fazer caridade. Trata-se de negócio: as organizações precisam de colaboradores e os que vêm de outras nações necessitam de estabilidade. Trata-se de uma conta lógica, não de assistencialismo.

“Apoiar projetos como este, representa não apenas contribuir para o bem-estar dos próprios colaboradores mas também a construção de uma cultura empresarial cuidadosa e responsável. Sua perspectiva empreendedora é um exemplo concreto de como o setor pode impulsionar transformações positivas na sociedade”, diz o presidente da Confindustria, Emanuele Orsini, em correspondência dirigida ao empresário Aldovrandi.

O projeto Renner foi criado no ano passado, em parceria com a Obra Salesiana de Castel de Britti, localizada nas colinas de Bolonha, um dos três centros da rede CNOS-FAP na Emilia-Romagna, conhecida por sua atuação histórica na acolhida e formação de menores estrangeiros não acompanhados.

A experiência é composta por duas etapas: um programa de formação de 32 semanas financiado pela Renner para 12 jovens e um programa de alocação residencial voltado para ex-menores desacompanhados previamente formados pelos Salesianos. "Reformamos um prédio que era nosso, gastando aproximadamente 300.000 euros para criar oito acomodações", disse Aldrovandi. "São destinados apenas a jovens selecionados pelos Salesianos, que firmam um acordo de transição habitacional com vigência de três anos.

Os dois primeiros inquilinos são Suleyman, da Gâmbia, e Bassirou, da Guiné. Em breve, um jovem da Nigéria se juntará a eles. O valor mensal do aluguel é irrisório: 150 euros no primeiro ano, 170 no segundo e 200 no terceiro, pagos integralmente ao instituto salesiano. O valor é utilizado para a manutenção das atividades educacionais.

Parecia antiético cobrar aluguel de jovens em dificuldade", admitiu Aldrovandi, "mas Carlo Caleffi, leigo e diretor do CFP salesiano em Castel de Britti, disse: é necessário educar para a autonomia, não substituir a realidade".

Hoje, na Renner, os trabalhadores estrangeiros representam cerca de 7% e o projeto habitacional ainda se encontra em fase inicial. "Mas o impacto tem sido positivo", disse Aldrovandi, "O entusiasmo desses jovens trouxe energia para os departamentos. E graças à experiência dos Salesianos, podemos contar com uma estrutura sólida, sem improvisação".

O projeto de formação da Renner e da Cnos-Fap é aberto a todos, inclusive a italianos. Mas na primeira seleção, segundo Aldrovandi, "não apareceu um único italiano". Esse é um fato que deve nos fazer pensar. Por isso afirmamos que não se trata de uma escolha ideológica, mas de uma necessidade industrial".

A formação abrange todas as áreas da empresa, da logística à produção, com foco em segurança e cidadania. O objetivo é transformar o estágio num contrato. Os alunos são acompanhados, seja em sala de aula como na empresa, e os resultados já começam a aparecer.

"O aspecto educacional é fundamental", esclarece Caleffi. Não somos um escritório temporário e não recebemos fundos para isso. A nossa meta é proporcionar a esses jovens uma vida feliz. Por essa razão, os escolhemos meticulosamente, os acompanhamos mesmo após a contratação e zelamos por sua convivência. Seria um equívoco reunir oito jovens de nacionalidades distintas logo de início. Preferimos optar por uma introdução gradual.

O modelo adotado pela Renner já despertou a atenção de outras companhias da Emília. Uma companhia de Ozzano arrendou um apartamento, para servir de hospedagem a visitantes, e duas Dioceses, incluindo a de Piacenza, entraram em contato com o Centro Salesiano, para estabelecer parcerias similares.

"A nossa expectativa é que o projeto seja estruturado, envolvendo a cooperação entre o setor particular e a educação profissional." "As empresas possuem um potencial que o estatal não tem, e podem causar um impacto significativo", conclui Caleffi.

Ilaria Visentini

Fonte: Il Sole 24 Ore

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