Camboja – Curso de formação de formadores (ToT) para jovens sobre sabedoria ancestral e ecologia na “Don Bosco de Kep”

24 março 2026

(ANS – Kep) – Um total de 250 alunos da Escola Técnica Don Bosco, na província de Kep, participaram do seminário anual de formação de formadores (ToT), realizado de 16 a 20 de março de 2026, com foco na sabedoria ancestral, na Mãe-Terra, na construção da comunidade e no Sistema Preventivo Dom Bosco. Organizado no âmbito do Projeto Jovens Líderes, o programa de cinco dias foi realizado no “Don Bosco Kep Jungle-Garden” e reuniu alunos dos departamentos de eletricidade, secretariado, informática e comunicação midiática. Os participantes vieram de várias províncias cambojanas, incluindo jovens indígenas das comunidades Jarai e Tampung, de Ratanakiri.

O workshop combinou reflexão, conscientização ambiental e imersão cultural. Os estudantes visitaram a “Kampong Samaki Community Fishery” e o “Mangrove Biological Learning Center” na província de Kampot, onde as comunidades locais trabalham há muito tempo para proteger os ecossistemas de manguezais e promover meios de subsistência sustentáveis. Essas visitas ofereceram uma visão prática da conservação ambiental e da resiliência lideradas pela comunidade.

Um tema central do workshop foi a preservação das tradições ancestrais do Camboja num contexto de rápida urbanização. Os alunos refletiram sobre a riqueza cultural dos grupos indígenas, a emancipação das mulheres e o valor de uma vida comunitária forte. Surgiu uma preocupação fundamental : “Quando os jovens migram permanentemente para as cidades por motivos de estudo e trabalho, o patrimônio ancestral e a identidade das aldeias correm o risco de enfraquecer ou se perder”.

Por meio de diálogo nos grupos, os participantes destacaram que o desenvolvimento moderno não deve apagar as raízes culturais. “Se nós somos o resultado de séculos de trajetórias ancestrais, então também nossos descendentes têm direito a uma identidade cultural” - observou um grupo. Em vez de rejeitar a modernidade, os alunos propuseram uma abordagem equilibrada. A tecnologia, observaram, é também fruto da sabedoria humana. O desafio não está em abandoná-la, mas em garantir que ela fortaleça as comunidades em vez de fragmentá-las. O acesso à eletricidade, à Internet e à educação é essencial para o desenvolvimento rural; no entanto, deve estar a serviço da dignidade humana e da coesão social.

A proteção do meio ambiente emergiu como outro forte empenho. Os alunos enfatizaram que cuidar das florestas, dos mares, dos rios e dos manguezais..., não é opcional, mas vital para a sobrevivência e o bem-estar. Eles contestaram as atitudes passivas em relação à destruição ambiental. “Se vemos a floresta sendo destruída e não fazemos nada, somos parte da destruição. Se cortarm uma árvore, deveremos plantar sete” - declarou um participante.

A própria “Don Bosco Kep” é um modelo de sustentabilidade, cercada por árvores e engajada em iniciativas ecológicas contínuas. Nos últimos dois anos, os alunos se comprometeram a plantar 5.000 árvores por ano. Com 500 alunos plantando pelo menos dez árvores cada um em suas aldeias, eles pretendem dar uma contribuição tangível ao futuro ambiental do Camboja. A escola também é membro ativo da “Don Bosco Green Alliance Cambodia”, colaborando com o Departamento provincial de Kep para Florestas e Meio Ambiente visa<ndo proteger as áreas de manguezais e o Parque Nacional de Kep.

O workshop também destacou o modelo tradicional da aldeia cambojana, onde fortes laços de parentesco promovem a unidade e a responsabilidade compartilhada. Os participantes refletiram sobre a importância do diálogo, da resolução de conflitos e do respeito mútuo numa sociedade culturalmente diversificada - que inclui minorias indígenas e diversas comunidades religiosas. “Somos um oásis de paz”, afirmaram os jovens, apelando por um diálogo digno e pela proteção dos mais vulneráveis.

Na “Kampong Samaki Community Fishery”, os anciãos locais compartilharam sua luta de décadas para defender as florestas de manguezais da destruição. Apesar das ameaças, eles se organizaram e, por fim, conseguiram o apoio do governo para a proteção ambiental. “Não fazemos isso por dinheiro”, explicou um ancião. “Precisamos trabalhar com a natureza: ela nos dá tudo”.

O workshop ToT foi encerrado com expressões culturais, incluindo uma apresentação tradicional de pradal, que simboliza a resiliência; e uma dança de bênção Jarai pela natureza. A experiência reforçou a determinação dos participantes em unir sabedoria ancestral, responsabilidade ambiental e desenvolvimento moderno, na construção de comunidades sustentáveis para o futuro.

InfoANS

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